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O que é APL?
Um Arranjo Produtivo Local (APL) é formado por um conjunto de empresas de uma cadeia produtiva instaladas em uma região geográfica limitada (município) e por força disso, atrai para a localidade entidades e instituições de apoio para o atendimento de suas necessidades econômicas gerando uma especialização produtiva. Assim, o adensamento de uma cadeia produtiva em uma localidade, somado aos esforços de diferentes instituições de apoio, e outras de cunho científico, educacional e financeiro, organizados por ações de cooperação, obtém vantagens competitivas no mercado globalizado. Dessa forma, o que faz um APL se desenvolver é a sua capacidade de construir alianças entre todas essas organizações disponíveis em seu território em prol da geração de emprego, renda e qualidade de vida.
Organização do APL de Jaú
O crescimento do APL de Jaú está sendo auxiliado, desde 2003, por um Programa de Desenvolvimento Sustentável, organizado e coordenado pelo Sindicato Patronal (Sindicalçados) com apoio técnico-financeiro do SEBRAE em parceria com diferentes instituições. Esse programa objetiva integrar as áreas da cadeia produtiva do calçado para melhorar a atuação das empresas quanto à gestão, produção, meio ambiente, mercado e informação, tornando-as mais competitivas. O programa foi implantado através de uma estrutura formada por grupos de trabalho com lideranças empresariais e das instituições parceiras, que tem a responsabilidade de atrair investimentos, organizar ações coletivas, treinar e capacitar empresários, além de gerar oportunidades para melhorar as áreas críticas do setor, como aumentar a qualificação da mão de obra e estabelecer estratégias comerciais, com realização de feiras e missões técnicas entre outras.
Histórico da Formação do setor de calçados em Jaú
A história do calçado em Jaú começou no século XIX, com a chegada de um italiano chamado Guiseppe Contatore por volta de 1.900, que ao se mudar para cidade instalou a primeira sapataria da cidade.
Naquela época já existiam algumas casas de couro instaladas e os sapatos confeccionados de forma totalmente artesanal.
Foi com Guisseppe que muitos sapateiros aprenderam o ofício e se especializaram anos mais tarde. Com o desenvolvimento da cidade, em meados de 1930 já existiam muitas casas de couros e pequenas oficinas de pesponto como a Casa Arthur Bernardi, que empregava senhoras e adolescentes que costuravam os sapatos na profissão de calçadista.
Muitos dos industriários pioneiros começaram a se profissionalizar nestas oficinas.
Foi assim com Romildo Crozera, que fundou sua empresa com os irmãos Roberto e Romeu Crozera em 1943. Pelos dados históricos, esta foi a primeira indústria legalmente constituída.
Pouco tempo depois surgiram muitas outras indústrias dentre as quais se despontou a B. R. Musegante, do sr. Romeu Musegante, onde outros pioneiros como Jarbas Farracco, Santo Rosignolli, Alberto Ferrucci e Dionysio Momesso começaram a trabalhar. Anos depois muitos destes que eram funcionários constituíram suas próprias empresas.
Romeu Musegante ganhou projeção ao assumir a presidência da Associação Comercial e Industrial de Jaú, fortalecendo ainda mais o setor de calçados.
Os calçadistas começaram a ganhar certa projeção política, tendo eleito anos depois o Sr. Jarbas Farracco, Indústria de Calçados Rosangela, Prefeito de Jaú de 1968 à 1972.
Com o passar dos anos as indústrias foram evoluindo e os trabalhos inicialmente artesanais passaram a ser realizados com o apoio de máquinas de alta tecnologia.
Em 1979 um grupo de empresários se uniu e fundaram a Associação das Indústrias de Calçados de Jaú, para defender os interesses e representar os empresários do setor.
A setor calçadista representa hoje mais de 40% do PIB do município, sendo um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento econômico e industrial do município.
O número de empresas foi crescendo e hoje Jaú é conhecida como - Capital do Calçado Feminino do Estado de São Paulo.
Caracterização do APL de calçados femininos de Jaú
O dinamismo das empresas de calçados de Jaú é impulsionado pela tarefa de acompanhar as tendências da moda feminina e transformá-la em calçados, muito rapidamente, para inserção no mercado. Isso ocorre, pelo menos, quatro vezes durante um ano, através dos lançamentos de coleções em cada estação climática, como é na moda têxtil.
O Município de Jaú abriga uma concentração de empresas produtoras de calçados femininos com especialização (90%) em produtos feitos em couro, além de empresas fornecedoras da cadeia de suprimentos, instituições de ensino, de apoio técnico e financeiro entre outras empresas que caracterizam um Arranjo Produtivo Local (APL).
Atualmente, este APL é formado por aproximadamente 1.182 estabelecimentos formais, na qual: 250 são empresas de calçados femininos, 800 bancas de prestação de serviços, 120 empresas de componentes para calçados, 3 curtumes, 4 empresas de artefatos de couro e 3 shoppings com 175 lojas de sapatos. Juntas estas empresas geram cerca de 17 mil empregos diretos, divididos por: 8.390 na Indústria de Calçados, 4.000 nas bancas prestadoras de serviços, 1.400 nas empresas de componentes, 80 nos curtumes de Jaú, 100 nas empresas de artefatos e 400 empregos nos shoppings. (CAGED, 2007)
A produção do APL é de aproximadamente 130 mil pares por dia, com capacidade produtiva para aumentar a produção em 30%.
O crescimento deste APL esta sendo auxiliado, desde 2003, por um programa de desenvolvimento sustentável, organizado e coordenado pelo Sindicato da Indústria de Calçados com apoio técnico e financeiro do SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas) em parceria com diferentes instituições como: Prefeitura Municipal, SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), FATEC-Jahu (Faculdade de Tecnologia de Jaú), IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos), UNESP (Universidade Estadual Paulista), ASSINTECAL (Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos), FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), CIESP-Jahu (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), MDIC (Ministério do desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), CSPD (Centro São Paulo Design), CCDM (Centro de Caracterização em Materiais) entre outros.
Breve histórico da formação do APL
Um dos aspectos críticos e desafiantes ao desenvolvimento do APL de Jaú esta centrado na sua gestão, de modo a articular diferentes iniciativas e a buscar a sinergia entre os diferentes atores locais, para a obtenção de resultados efetivos para todos os elos da cadeia produtiva presentes na região.
Este desafio está sendo superado com o desenvolvimento das articulações e formalização de parcerias entre entidades de classe, empresários do setor, escolas profissionalizantes e técnicas, universidades e centros de pesquisa em ações focadas nos aspectos mais críticos do arranjo, desde 2003 quando aconteceu o primeiro esforço para integrar todos os atores locais em prol do desenvolvimento econômico da região.
Assim, a primeira Oficina de Planejamento Participativo com o propósito de elaborar um Plano Estratégico de Desenvolvimento para o Setor Calçadista de Jaú, aconteceu em março de 2003, onde empresários de calçados, de empresas fornecedoras e representantes dos funcionários e das instituições de apoio, de ensino e outras puderam se reunir para discutir e analisar a situação do setor coureiro-calçadista local.
Neste encontro foram identificadas: forças internas restritivas; as forças restritivas com urgência de superação; forças restritivas com gravidade dos problemas; análise de situação das forças internas impulsoras; forças impulsoras com aspectos relevantes; análise de situação com situações externas desfavoráveis; gravidade das ameaças; análise de situação com situações externas favoráveis; condição de aproveitamento das oportunidades; oportunidades estratégicas; áreas estratégicas para o planejamento estratégico com finalidades e objetivos; estratégia de ação com objetivos e atividades; matriz de responsabilidades com plano operacional e de controle com avaliação final.
Pode-se perceber que a finalidade do encontro foi discutir o desenvolvimento sócio econômico do arranjo produtivo, por meio das análises de pontos fortes e fracos enfrentados pelas indústrias do setor, com o objetivo de prever e construir um cenário para se ter um desenvolvimento sustentável para pólo calçadista de Jaú, por meio de ações de curto, médio e longo prazo, que realmente contribuíssem para a resolução dos problemas identificados e que buscassem tornar as empresas locais mais competitivas, e assim, um pólo mais competitivo. Para isso contou-se com o envolvimento de toda a comunidade e de interessados na evolução do Arranjo.
As ações planejadas dos resultados desse primeiro trabalho foram colocadas em seis áreas estratégicas para facilitar a sua condução, e perduraram até o ano de 2005 com foco na reorganização das estruturas fabris das empresas na garantia de controles e práticas de gestão mais eficientes.
As áreas definidas pelo planejamento foram: Educação empresarial e empreendedora; Tecnologia, qualidade e produtividade; Desenvolvimento de produtos e conquista e manutenção de novos mercados; Busca de excelência em gestão de pessoas; Gestão do Pólo Calçadista de Jaú e Desenvolvimento empresarial dos prestadores de serviços.
Outro encontro foi promovido, em 2004, para revisar o planejamento estratégico realizado e reorganizar ações para o próximo ano. Neste encontro, os resultados formataram um convênio de atuação entre o SEBRAE e o Sindicalçados com ações focadas na produção e na gestão financeira e no Design. As ações também passaram a ser monitoradas por um Sistema de Gestão Orientado para Resultados o SIGEOR, coordenado pelo SEBRAE.
Assim em 2005, o foco foi melhorar a eficiência produtiva das empresas por meio da intervenção de consultores contratados nas áreas de Finanças, Mercado, Produção e Design, com seus produtos moldados para o atendimento direto das necessidades das empresas de calçados, que receberam inclusive aporte financeiro para o custeio das horas de consultoria em suas estruturas fabris.
Com a avaliação dos resultados alcançados no final de 2005, surgiu uma novo necessidade que efetivamente promovesse uma mudança comportamental e consequentemente na cultura dos empresários participantes do programa, porque até o momento, as ações eram apenas individuais e pontuais em cada empresa do APL.
Para o atendimento dessa necessidade, iniciou-se um curso sobre atitudes empreendedoras, conhecido como A+E, em um grupo formado por 20 empresários de calçados e 10 representantes de instituições de apoio e ensino, além dos gestores do sindicato patronal. Esse curso fez com que os empresários de calçados e componentes mudassem seu comportamento frete ao programa de desenvolvimento do APL, o que era necessário estabelecerem as ações de cooperação entre si.
No término desse curso, o grupo de empresário construiu cenários otimistas e pessimistas para escreverem o novo planejamento estratégico do APL, estabelecendo a missão, visão e os valores que deverão nortear todo plano de ações até o ano de 2012.
Em 06 de março de 2007, a missão, visão e valores estabelecidos pelo APL foram apresentados, em um mega evento promovido pelo Sindicalçados, a toda comunidade de Jaú.
De acordo com todo esse histórico de desenvolvimento do APL de Jaú, as ações para os próximos anos estão sendo planejadas em função das seguintes diretrizes
Missão
Contribuir para a prosperidade das empresas, promovendo a interação, cooperação e aprendizado coletivo, fortalecendo as relações com o governo, associações e instituições, gerando maior competência e competitividade para os envolvidos, alavancando de forma sustentável o desenvolvimento econômico, sócio ambiental e tecnológico da região.
Valores
Ousadia: promove a iniciativa e rompe o medo da mudança
Cooperação: fortalece o espírito de equipe, supera a competição e o individualismo e promove o associativismo
Conhecimento e Compartilhamento: amplia a visão, busca a capacitação empreendedora e empresarial e reforça o relacionamento cooperativo.
Comprometimento: gera responsabilidade para a concretização das ações
Ética: estimula reflexões a respeito das práticas moralmente corretas e incentiva condutas que fortalecem as relações
Humildade: desenvolve a consciência dos limites individuais, garante o respeito às diferenças e supera a soberba.
Visão
Em decorrência de nossas ações de cooperação, integração e interação entre empresas, seus colaboradores e entidades, seremos conhecidos como referência em Arranjo Produtivo Organizado (APO) no mundo.
Nossas marcas serão reconhecidas com participação expressiva no mercado em função do nosso compromisso com a eficiência no atendimento e satisfação dos diferentes clientes.
O pólo de Jaú será conhecido como referência de moda em calçados e acessórios femininos inovadores e desejados.
Nosso centro de formação profissional terá excelência e seremos nacionalmente reconhecidos quanto ao desenvolvimento tecnológico em design, inovação e gestão.
A qualidade de vida será priorizada em todas as práticas de gestão, promovendo o desenvolvimento sustentável, norteadas pela responsabilidade social e com o meio ambiente
Nossa expressão política irá influenciar os agentes locais, estaduais e federais para cumprir a missão do APL
Teremos um ambiente próspero, onde todos sentirão orgulho de pertencer a essa comunidade.
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